domingo, 21 de dezembro de 2014

AO DESENGANO - Francisco Joaquim Bingre


Já dos males de amor estou curado;
Não me lembram traições de vãs beldades,
Ingratidões, agravos, falsidades:
Já vivo de tudo isso deslembrado.

Não me lembra se amei ou fui amado,
Nem se tive prazer co’as falsidades;
Não conservo desejos, nem saudades;
Vivo todo esquecido do passado.

Graças mil dou ao Santo Desengano,
Que nas águas do Letes sonolento
Me fez largar memórias desse engano.

Tenho limpo de Amor o pensamento.
Esqueci-me, curei todo o meu dano,
Quando no rio entrei do esquecimento.
Francisco Joaquim Bingre
(Sonhador)

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