Dois beijos, dois anseios
Do desejo sem traquejo
Aquele nó que trouxe só
A dor sem fim
Que habita em mim
Amiga amada
Pôde a malvada
Colocar um fim
Em algo assim?
E como pôde!
Na onda ardente
Sob um céu clemente
Pesadelo foi, noite escura é
Os meus desejos
Que arfaram os seios
Esvaneceram na escuridão
Malvada aquela
A Morte impera
Mesmo no que não é carne
Mas é paixão
Qual dor maior
(que é) viver tão só
Sabendo então o que é amor
De um ser tão culto
Dirás: "- Tão burro!"
Sim, minha amiga
Tão burro então.
Lançara fora o amor pungente
E no peito pálido
Só a luz ficou
Mas o que é a luz
Senão alumia?
Se ele foi-se
Ao olhar pra o chão...?
Abismo negro, terra do além
A Morte certa o acompanhou
Ficaram os corpos
- tão cheios outrora -
Vazios, sem vida
E nada mais brotou.
Expiação do pecado
Viver sem ser olhado
Pela neblina, nas trevas sem fim
Mas o peito alumia, procurando respira
Por algo a mais
Pelo que passou.
Eterna busca, procura injusta
Deverei agora pesar a mão
Pois entre beijos, no arfar do seio
Perdi a compostura, fui pega no arpão.
Morte, ó Morte!
Tu que da vida levas o eterno
Venha até mim, possuo um coração
Que pulsa por alguém
Que já não sente
Que jaz ausente
Por tua mão.
Tire-o daqui, afasta-o de mim
Deixe-me vagar sem uma pulsação
Do sangue forte ofereço-te sacrifício
Vida por vida, amor por ilusão
Terei em breve a face funda
O peito inerte, sem emoção
Mas sentirei por perto
A paz demente
Que mal não sente
Nem bem então.
Em minha memória
Lábios encarnados
Suspiros dobrados me levam a pensar
E lembro dele, sua face pálida
À luz tão clara
O gosto anil
Aquele sangue
Vertido ali
Num tecido claro, com essência de jasmim
Seu olhar de espanto
"- Por que sangraste?"
Meu bem, foi presságio
Foi o arrancar do coração.
É dele agora e sempre o fora
Quando a vagar em noites sonhei
Com aquele espectro sob a luz profunda
Não sou mais minha
Nem de mais ninguém.
Outrora fosse uma despedida
Todavia sabemos que não
Será possível um dia ainda
Perder a vida por uma paixão?
Duvido muito, ainda há vida
Mesmo que pulse 80 vezes
Mesmo que a vida seja sentida
Como num sono, como um revés
E amo ainda, a dor sentida
Enaltecida em versos secos
O peito desnudo que traz à vida
Apenas implora: morra de uma vez
Morra paixão, morra sentir
Faze-me de novo andar e vir
Olhar as faces vermelhas e rosadas
Sentir nas veias a inquietação
Querer luxúrias, desejar o proibido
Sentir que resta uma solução
Caber numa cama, arfar o seio
Pedir segredo
Num beijo... ó não!
Mia Sodré
(Sonhadora)
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